Monarquia e Profetismo: Curso Popular da Bíblia.

novembro 12, 2017

CEBI Méier

Comunidade Renato Cadore

Fernando Henriques

Monarquia e Profetismo: Curso Popular da Bíblia.

 

A leitura popular da Bíblia é uma das metodologias mais empregadas pelo CEBI nos seus trinta anos de caminhada. No Méier não é diferente. Aqui o CEBI nasceu a propósito de um Curso Popular da Bíblia há mais de cinco anos atrás.

 

Ano passado, ainda no primeiro semestre, iniciamos mais um curso, dedicado à Introdução ao Estudo da Bíblia. E no segundo semestre nos dedicamos ao estudo da Formação do Povo de Deus. Neste ano de 2013 vamos entrar em Monarquia e Profetismo, dando mais um passo na leitura popular do texto sagrado.

 

Monarquia e Profetismo são duas realidades que andam juntas. O projeto da Sociedade Tribal, também chamada de Sociedade Igualitária, foi desafiado a apresentar uma nova proposta de vida, mas a convivência com outros povos suscitou entre alguns hebreus anseios de se tornarem iguais a eles. Não anseios do povo como um todo, mas de parte desse povo, um grupo que já adquirira muitos privilégios.

 

Instalada a monarquia, Javé suscita o aparecimento de profetas no meio de seu povo. Os profetas nos ensinam a ler, nas entrelinhas, o que está por trás das palavras. Ensinam-nos a ter um olhar penetrante sobre os fatos. Em situações de injustiça quem mais sofre são os pequenos, as mulheres, as crianças, os excluídos, as pessoas indefesas. Os profetas falam em sua defesa.

 

Com este estudo de Monarquia e Profetismo o CEBI Méier pretende fornecer subsídios que ajudem a nos educar ao perdão, à amizade, ao respeito e à tolerância. Assim seremos construtores e construtoras da paz. Alguns dos princípios que iluminam a caminhada da Comunidade Renato Cadore.

 

Neste semestre teremos curso popular da Bíblia nas seguintes datas: 2 de março, 20 de abril, 25 de maio e 29 de junho. Teremos ainda um dia dedicado ao profeta Amós (11 de maio) e outro ao profeta Ozéias (8 de junho). Local: Casa Pe Dehon.

 

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Vida e Bíblia. Um ano de muitas lutas.

outubro 29, 2017

CEBI MÉIER

Comunidade Renato Cadore

 

Vida e Bíblia.

Um ano de muitas lutas.

 

Fernando Henriques

subcoordenador

 

 

 

Deus se revela a cada um de nós pela Palavra e por um outro livro a que costumamos chamar de Vida, a vida de cada um de nós. O CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) busca sempre uma reflexão que consiga abarcar essas duas dimensões da Revelação divina, procurando uma forma que possa ser levada às comunidades populares.

 

Neste ano de 2012 o CEBI Méier realizou uma série de encontros procurando a variedade na unidade que é o seguimento do Cristo Jesus. Assim, na área bíblica, pudemos estudar exaustivamente as cartas católicas de Tiago e Judas Tadeu, e o Evangelho de Marcos. Este último com três vertentes de aproximação: a teologia da libertação, a teologia feminista e a leitura orante, além de um encontro especial em S.Jorge de Quintino, conduzido por Tereza Cavalcanti, teóloga da PUC Rio e do CEBI. O Mês da Bíblia (setembro) foi todo dedicado ao estudo de Marcos. Ao todo, a área bíblica contou com 12 profícuos encontros.

 

Foi também realizado mais um Curso Popular da Bíblia, centrado na Formação do Povo de Deus. Foram oito encontros destinados a promover uma aproximação a um tempo singela e profunda com o texto sagrado.

 

Uma novidade foi a rubrica Bíblia e Gênero com três encontros sobre feminilidades na Bíblia, seguidos de um encontro sobre masculinidades na palavra revelada. Também se realizou uma série de quatro encontros sobre Bíblia e Etnia, procurando em Atos dos Apóstolos os fundamentos do amor de Deus a todo o gênero humano.

 

Entre os encontros especiais destacamos a Campanha da Fraternidade, uma análise da conjuntura política no contexto da Cidadania e da Fé, um encontro de antropologia sobre a questão da morte e da vida eterna, um encontro sobre a liberdade religiosa, com participação de outras vertentes de fé, e, finalmente um encontro eclesiológico sobre os paradigmas que tiveram de enfrentar os participantes do Concílio Ecumênico Vaticano II, de que ora se comemora seus 50 anos de elaboração e implantação.

 

Neste começo de dezembro o CEBI Méier fará um exame crítico dessa caminhada, seguido de eleição de nova coordenação e um primeiro planejamento para o ano de 2013.

 

O local de nossos encontros é a Casa Pe. Dehon (Rua Vilela Tavares, 154, Méier) no horário de 8:30 às 12 horas. A participação é franca, são todos convidados a dar a sua contribuição para que tenhamos um grupo cada vez mais empenhado no estudo e na divulgação da Palavra e no exame da Vida que nos é dada viver.

Participe.

 

Tiago, o irmão de Jesus – parte 1 – por Mário Porto.

outubro 15, 2017
Tiago, o irmão de Jesus – Parte 1 PDF Imprimir E-mail
1.INTRODUÇÃO
Este ensaio pretende servir como o piloto do conteúdo a ser desenvolvido em um livro sobre Tiago, o irmão do Senhor. Todos os componentes a serem desenvolvidos encontram-se neste ensaio dividido em duas partes e cobrindo desde a infância conjunta de Jesus e Tiago até o martírio e legado de Tiago.
Quando falamos dos irmãos de Jesus a reação muitas das vezes é de perplexidade ainda mais se mencionarmos a posição delegada a Tiago, pelo próprio Jesus na liderança da Igreja Primitiva quando então a exclamação bem comum é a que representa desconhecimento de que Jesus teria tido algum irmão.
O Novo Testamento se refere a sete pessoas, não necessariamente diferentes, com o nome de Tiago.
  • a) Tiago, filho de Zebedeu, um dos doze apóstolos;
  • b) Tiago, filho de Alfeu, igualmente um dos doze (Mt 10:3/Mc 3:18/Lc 6:15/ Atos 1:13); 
  • c) Tiago, irmão do Senhor (Mc 6:3/Mt 13:55/Atos 12:17;15:13 e 21:18/Gl. 1;19;2:9 e 2:12/ 1 Co 15:7);
  • d) Tiago Menor, mencionado nas narrativas da Paixão (Mc 15:40 e 16:1/Mt 27:56/Lc 24:10);
  • e) Tiago, o pai ou irmão de um dos doze, chamado Judas (Lc 6:16/Atos 1:13);
  • f) O autor da epístola de Tiago (Tg 1:1);;
  • g) O irmão do autor presumido da epístola de Judas (Jd 1:1)  
Desta relação podemos destacar três personagens mais importantes.
Tiago, filho de Zebedeu, Tiago Maior, é o santo reverenciado na Espanha no caminho de Compostela a partir da lenda de que seus restos mortais teriam sido levados para a Galiza, no lugar de Compostela (depois chamado, em sua honra, Santiago de Compostela).
Tiago, filho de Alfeu, também denominado Tiago Menor, identificado na lista dos doze apóstolos e considerado para muitos estudiosos não como irmão mas como primo de Jesus, seguindo a Teoria Jerominiana (Jerônimo séc. IV – EC), teoria esta que tem como objetivo maior preservar a virgindade perene de Maria. 
E finalmente Tiago, chamado “O Justo” e qualificado nos evangelhos e na Epístola aos Gálatas como irmão do Senhor tendo tido papel proeminente na Igreja Primitiva.
Tiago Menor é identificado por grande parte da Igreja Católica como sendo Tiago, o irmão do Senhor tornando-os uma só pessoa. No entanto, a maioria dos estudiosos do NT não segue esta idéia e Tiago “Menor” e Tiago “O Justo”, irmão do Senhor, são considerados pessoas diferentes sendo que o último não foi apóstolo durante o ministério de Jesus. A maioria dos exegetas não faz mais esta identificação embora ela tenha sido sedimentada durante muitos anos entre os fiéis católicos. 
Para tornar bem claro o objeto de nosso estudo, o Tiago de quem vamos tratar é exatamente Tiago “O Justo” que é apresentado no Novo Testamento várias vezes com a qualificação de irmão de Jesus (Mc 6:3, Mt 13:55, Gl. 1:19). Não é o Tiago Maior filho de Zebedeu, pois este pereceu assassinado por Herodes Antipas pouco tempo depois de Cristo, e não é o Tiago Menor, filho de Alfeu, pois este teve muito pouca proeminência na Igreja Primitiva. Como já dissemos acima, é preciso deixar claro que esta controvérsia não está totalmente resolvida e autores importantes como Eisenman [5] identificam Tiago Menor como o Tiago “O Justo” de que estamos tratando.
No entanto, identificar o chamado Bispo de Jerusalém ou o irmão do Senhor com o chamado Tiago, filho de Alfeu, não me parece relevante visto como já dissemos Tiago, como filho de Alfeu teve pouca proeminência na Igreja Primitiva.
2. Infância e Adolescência com Jesus – Educação
Pensar em Tiago, “O Justo” traz logo a idéia da possibilidade dele, um pouco mais novo, ter crescido e desenvolvido sua infância e adolescência ao lado de Jesus nos arredores da cidade esquecida de Séforis que não foi mencionada no Novo Testamento e, portanto, não se apresenta nos mapas que comumente constam nos finais dos exemplares de cada Bíblia.
Séforis somente se mostrou para nós com as escavações que começaram na década de 80 do século 20.
Neste ensaio, estamos assumindo a teoria Helvidiana pela qual Tiago é considerado irmão sanguíneo de Jesus e filho de José e Maria, assim como o são seus outros irmãos e irmãs.
O esplendor de Séforis na época do Cristo, transformada pelos herodianos no centro administrativo de todas a região, dominava toda a região contrastando com a realidade de hoje quando a Nazaré moderna é a maior cidade árabe de Israel enquanto Séforis são apenas ruínas à distância.
Existiria a Nazaré de então como uma pequena vila de cerca de 200 a 500 habitantes como defendem alguns estudos arqueológicos de orientação católica ou seria Nazaré do ponto de vista histórico e arqueológico apenas uma cidade ou vila criada pela teologia? Baseando-se nas conclusões das escavações do franciscano Bellarmino Bagatti sobre Nazaré, desprezando aquelas destinadas a criar uma peregrinação cristã ao local da aldeia, Meyers & Strange afirmam que após uma nova fundação no século II a.E.C. “ a aldeia tinha menos de 200 anos no século I. (Rev2 Ago08)
O nome Nazaré não é mencionado fora do NT nem por Josefo, quando ele lista 45 cidades da Galiléia, nem no Talmude que se refere a 63 cidades na Galiléia, [9] mas isso não significa que a aldeia não existia apenas que deveria ser muito pequena. A questão da real existência da aldeia provoca mais dúvidas do que certezas ainda mais se considerando que o termo Nazareno possa ser oriundo de uma tradução errada de um antigo movimento ascético dentro do judaísmo, os nazoreus, que pode estar relacionado com a seita dos Ebionitas. (Rev 2)
No entanto, podemos conviver com a idéia de que Jesus nasceu e cresceu junto com seu irmão Tiago próximo à região de Séforis na Galiléia.
A suposição mais aceita é de que a família de José e Maria era pobre e esta idéia vem da qualidade da oferenda que sua família fez ao santuário do Templo, “um par de rolas ou dois pombinhos“, quando se completaram 40 dias do nascimento de Jesus, segundo o relato de Lc. 2:24.
Que tipo de educação poderiam ter recebido Jesus e Tiago de seus pais?
Qual a condição financeira de José?
Aqui novamente uma imprecisão de tradução nos parece encaminhar para outra incerteza, visto que a tradução “filho do carpinteiro” encontrada em Mt. 13:55 pode estar equivocada ou pelo menos não no sentido mais adequado empregado para a palavra. O apócrifo Proto-evangelho de Tiago, do século I, se refere a José como “um construtor de edifícios”. Pedra e não madeira era usada na construção das moradias, a madeira era usada para vigas de telhado, portais e portas. Segundo James Tabor [1], a palavra “tekton” no contexto social cotidiano da Galiléia era algo semelhante a um operário diarista, quem sabe um pedreiro ou um artesão. Jesus e Tiago atingiram a adolescência no auge das atividades em Séforis e quando estavam nos seus 20 anos foram testemunhas do surgimento, a poucas milhas dali, da nova cidade de Tiberíades fundada por Herodes Antipas e da própria reconstrução de Séforis.
O desprezo demonstrado por Jesus em relação a Antipas e tudo que fosse proveniente dele podem ser reflexo dos anos de exploração e trabalho árduo exigido à sua família.
Teria José auxiliado por seu filho trabalhado nesta construção se deslocando, diariamente, de algum vilarejo (Nazaré?) próximo a Sefóris, quem sabe acompanhado por seus dois filhos mais velhos? Bernheim [2] aponta que as parábolas de Jesus nos revelam algo de muito familiar com os mecanismos de economia monetária que a família tinha que exercitar em suas andanças.
O centro cívico e religioso de um povoado judaico era a Sinagoga. Na pequena vila aonde vivia a família de José, tenha ela o nome de Nazaré ou não, não parece provável que lá existisse uma Sinagoga com Beit Midrach (casa de aprendizagem ou estudo).
Teriam Jesus e Tiago freqüentado uma Sinagoga em Séforis? Não sabemos e nem temos registros arqueológicos [3] de Sinagogas em Séforis antes do período Talmúdico (70 AEC – 500 EC), mas não é impossível que existissem.
Por volta dos seis anos os meninos ingressavam na Beit Sefer – Casa do Livro. Numa aldeia pequena esta escola é um pequeno cômodo na Sinagoga. Seria interessante imaginar Jesus carregando seu irmão menor para deixá-lo em uma Beit Sefer enquanto ele próprio estava mais adiantado. Tiago como os outros meninos, logo aos seis anos começou a aprender a Torah, com mais dois anos passou para o Beit Talmud aonde lhe foram ensinadas as tradições orais. Com a idade de 12 ou 13 anos deixou o beit Talmude já conhecendo todo o Velho Testamento. Somente os mais interessados entre os melhores continuavam a estudar a Torah após os quinze anos, enquanto os demais eram iniciados nos negócios da família ou eram encaminhados a outras atividades profissionais. Os que eram conduzidos a Beit Talmud ou Midrash – Casa de Estudo, eram chamados talmidim e ficavam sob os cuidados de um mestre da lei em uma Beit Midrach. Aquela era uma seleção rígida. Os rabinos avaliavam criteriosamente cada candidato. Um talmidim deixava para trás seu pai e sua mãe, os negócios da família, sua sinagoga e seus amigos para se entregar de corpo e alma a seguir seu rabbi. O objetivo final não era apenas aprender o que o rabino sabia ou dominar o que o rabino sabia fazer. O objetivo de um talmidim era se tornar igual ao seu rabbi.
O fato é que se tributarmos a Tiago a autoria posterior da epístola que leva seu nome, o documento do Novo Testamento composto com o grego mais culto de todos, teremos que reconsiderar o nível sociocultural da família de José e o tipo de educação que Jesus e Tiago receberam ou então considerar a possibilidade da existência de um secretário redator da epístola.

Isto nos leva novamente a considerar a possibilidade de Séforis ser o centro cultural em que Jesus e Tiago possam ter construído seu conhecimento. (Rev3 Set08)

No  entanto, existem estudiosos que nos lembram que não podemos ver a antiguidade com os nossos olhos. A antiguidade dependia menos do livro, o que quer dizer que quem habitasse aldeias como Nazaré não seria, necessariamente, inculto, pois ali passava o Caminho do Mar, um ramo da Rota da Seda (a estrada central do mundo antigo). Uma pessoa vivendo nessa “pobre e apagada aldeia” teria perfeito acesso à cultura do mundo conhecido. Pois era pelas “caravanas” que o saber se difundia (cf. Paulo Dias, historiador, membro da Lista JesusHistorico) [7]. (Rev1 Ago08)
O mais correto na falta de fontes que nos permitam elucidar a educação recebida por Tiago é supor que ele tenha tido uma educação similar à de Jesus sobre a qual podemos deduzir algumas conclusões retiradas dos evangelhos. Várias passagens sugerem que Jesus conhecia o hebraico e seu conhecimento sobre as Sagradas Escrituras parece ter sido muito bom haja vista seus debates com os fariseus, escribas e saduceus.
A análise da educação de Tiago pelos textos que lhe são atribuídos é bastante complexa uma vez que sobre a epístola de Tiago, escrita em excelente grego, pairam dúvidas com relação à autenticidade de sua autoria. O discurso de Tiago no famoso Conselho de Jerusalém foi realizado com base nas escrituras demonstrando um bom conhecimento da Bíblia Hebraica. A autoridade de Tiago na Igreja Primitiva pode ter sido obtida em função de seu conhecimento das escrituras e o protesto dos fariseus quando de sua morte pode significar um respeito à sua formação farisaica.
3.Tiago, um Incrédulo?
Seria Tiago um incrédulo durante o ministério de Jesus?
O período que vai do nascimento de Jesus até o seu ministério público é também um período no qual nada sabemos sobre Tiago. Não sabemos, embora possamos inferir, se estava com Jesus quando este iniciou o que poderíamos chamar de uma campanha de batismo com João Batista, provavelmente na primavera de 27 EC.
Jo 3:22  Depois disto, foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia; ali permaneceu com eles e batizava.
Jo 3:23 Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.
Não é improvável que estivesse acompanhando Jesus e João Batista, afinal o rito do batismo estava inserido entres os ritos judaicos e é importante notar que João não introduziu o batismo no conceito judaico, este já era uma cerimônia praticada. A inovação de João terá sido a abertura da cerimônia, além da conversão dos gentios, aos próprios judeus, causando assim muita polêmica.
Seu reaparecimento tangível se dá, primeiramente, em Atos 12:17, quando logo após a saída de Pedro da prisão se mostra como líder da Igreja no famoso Conselho de Jerusalém em Atos 15 e se apresenta de forma marcante nas epístolas de Paulo. Uma passagem na Primeira Epístola aos Coríntios é considerada pelos cristãos como expressão de sua conversão em relação à sua incredulidade enquanto Jesus era vivo.
As evidências desta incredulidade estão presentes em Marcos e João.
Em Mc. 6:3 quando o povo da cidade natal de Jesus se admirava com a sabedoria de Jesus e disseram:
Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
O evangelho de Marcos (Mc 3:20-21 e 3:31-35) não economiza argumentos na identificação desta incredulidade enquanto Mateus (Mt 12:46-50) e principalmente Lucas (Lc. 8:19-21) amenizam esta incredulidade lembrando que estes dois últimos são os evangelhos que introduzem o nascimento virginal de Jesus e deixam claro o conhecimento de seu destino excepcional e seria incompreensível demonstrar ceticismo e hostilidade à família. Em João (Jo 7:1-10 combinado com Jo 2:23-25 e Jo 6:60-66) talvez tenhamos o esclarecimento final deste problema, pois neste evangelho a hostilidade aos irmãos não é muito clara e temos que nos lembrar que o texto foi escrito depois da liderança de Tiago na Igreja Primitiva e depois do seu próprio martírio sendo que nada que possa caracterizar uma conversão é relatada.
A partir deste dado precisamos olhar a hostilidade à família sob outra perspectiva, pois nada no Evangelho de João nos faz pensar que Tiago e seus irmãos não acreditassem na excepcionalidade da pessoa de Jesus. Enxergavam nele o profeta messiânico que iria restaurar Israel, mas não o viam na medida maior em que o próprio Jesus se via.
Nesta diferença de visão estão contabilizadas as divergências que acabaram caracterizando o grupo judaizante ou fiel ao judaísmo e que se manifestaram entre a comunidade joânica e os judeu-cristãos do qual Tiago era o maior expoente.
Estas mesmas diferenças podem ter causado a traição de Judas na medida em que após o episódio dos vendilhões do templo houve o conseqüente recolhimento de Jesus ao invés da invocação de seus anjos para ajudá-lo a combater o jugo romano. Judas na sua visão tradicional do messianismo percebeu que a missão de Jesus como o Messias de Israel havia falhado, considerando mesmo que Jesus era um mistificador e embusteiro e para isto o procedimento padrão era denunciá-lo para as autoridades romanas.
Não sabemos exatamente quando e de que maneira estas divergências foram expostas, mas a narrativa de Marcos (Mc. 3:20-21 e Mc. 3:31-35) deixa claro que elas o foram. Talvez o grupo de Tiago, sendo composto de judeus profundamente piedosos e tradicionalistas, teria ficado chocado com o radicalismo da mensagem de Jesus que culminaria com as palavras proferidas na eucaristia que deixaria qualquer judeu piedoso surpreendido.
Portanto, esta incredulidade causadora do mal estar familiar pode ter sido manifestada em conversas particulares entre Jesus e Tiago sem que estas afetassem o destino que Jesus reservasse a seu irmão na liderança de seu povo, possivelmente, cônscio de que conseguiria converter Tiago para o seu conceito messiânico, um destino que segundo Eusébio, “ele obteve pelo superior mérito de sua virtude”. [4]
[1] Tabor, James , A Dinastia de Jesus, Ediouro, 2006
The USF Excavation at Sepphoris http://www.centuryone.org/sepphoris-site.html
[4] Cesaréia, Eusébio, História Eclesiástica,Fonte Editorial, 2005
[5] Eisenman, Robert, James , The Brother of Jesus,Watkins Publishing,2002
[6] Nunes, Danillo, Judas Traidor ou Traído, Record, 1968
[7] Lista de discussões JesusHistorico
[8] Meyers, Eric & Strange, James, Archaelogy, the Rabbis, and Early Christianity.
[9] Crossan, Dominic John, O Jesus histórico

Cristologia/Quem é Jesus de Nazaré? – 18/09/17.

outubro 1, 2017

Grupo de Estudos Teológicos Pe Aloísio Knob

Cristologia/Quem é Jesus de Nazaré? – 18/09/17.

 

  • Jesus Cristo Filho do Homem

Aramaico BAR NASHA = hebraico  BEN ADAN = Filho do Homem

Significa simplesmente que alguém é humano, é homem. Muito usada no antigo testamento, exemplo: Salmo 8,5; Jó 25,6. Em Daniel (7, 13-14), descreve-se um misterioso “filho do homem”, vindo sobre as nuvens do céu, que receberá um poder e um reinado para sempre. Essa figura tem um sentido individual, trata-se de um ser humano que transcende a mera condição humana. Mas possui também um sentido coletivo, refere-se ao Israel fiel no final dos tempos (chamado “o povo dos santos” em Dn 7,27).

Portanto convém caracterizar essas duas significações para a expressão “filho do homem”:

  • Indica a condição humana, com a fraqueza inerente a essa condição.
  • Aponta para uma figura humana, de origem transcendente e grandeza divina; uma figura tanto coletiva como individual.

A expressão “filho do homem” aparece 80 vezes no Novo Testamento, sempre utilizada por Jesus para se autodesignar (exceto em At 7,56, onde Estêvâo afirma que Jesus é o Filho do Homem de Dn 7,13. E é empregada com três significados distintos:

  • Jesus é o Filho do Homem que atua em sua existência terrena, em meio aos outros seres humanos, vivendo as limitações próprias dessa existência. Ex: Mt 8,20; 11,19; Lc17,22.
  • Jesus é o Filho do Homem que realiza a missão do Servo de Javé (cf Mc 8,31; Mt 17,9-12); Mc 9, 9-12; Mc 14,21; Lc 22,22; Mc 14,41; Mt 26,45). Esta associação entre o transcendente Filho do Homem e o sofrimento do Servo é inaudita e surpreendente.
  • Jesus é o Filho do Homem que virá no final dos tempos, com glória, poder e a atribuição de julgar. Cf. Mc 8,38; Mc 14,62; Mt 24, 26-44; Mt 26, 64; Mt 25,31; Jo 6,62; 5,27. O significado deste terceiro grupo coloca Jesus na perspectiva própria de Dn 7,13ss.

O fato de a expressão Filho do Homem ser sempre colocada na boca de Jesus leva a maioria dos especialistas no Novo Testamento a concluir que foi o próprio Jesus quem a usou para autodesignar-se. Não se trataria portanto de uma atribuição feita a ele pela comunidade cristã.

Fílon, filósofo judeu de Alexandria, fez uma leitura dos relatos bíblicos da criação do ser humano (Gênesis cap. 1 e 2) dizendo que na tradição judaica existem dois tipos de homem: o Adão perfeito, criado à imagem de Deus (cf Gn 1, 26-27), e o Adão terrestre, imperfeito e pecador, feito de argila (cf Gn 2,7).

Esse contexto cultural será utilizado pelo Novo Testamento para comunicar significativamente a fé em Jesus Cristo. Em conformidade com essas premissas culturais, Paulo admite também dois tipos de homem, dois “adões”. Paulo afirma que o verdadeiro homem, o modelo do humano, o homem que vem de Deus, é o segundo Adão., isto é, o Cristo Jesus. Já o primeiro homem, o primeiro Adão, é o homem terrestre, pecador. Cf. 1Cor 15, 45-48 e Rm 5,14.

Uma vez que existem dois adões, Paulo nos diz que há também dois modos diferentes de existir: a existência própria do “corpo psíquico” do Adão pecador, caracterizado pela incapacidade de comunicar a vida; e a existência do “corpo espiritual”, próprio de Jesus Cristo, o segundo Adão, fonte de vida para os outros. Cf. 1Cor 15, 44-45.

Da exposição paulina deduzimos que para a fé cristã, existiu primeiro o homem terrestre, fraco e pecador, o homem psíquico. Portanto o ser humano não é divino, nem partícula ou emanação do divino. O ser humano é criatura, se bem que criado à imagem de Deus. O ser humano não é divino, mas terrestre.

É verdade que o ser humano é chamado a tornar-se celeste. Mas esta divinização não é própria do ser humano, trata-se de um dom oferecido por Deus. É graça e não uma qualidade própria do homem. Trata-se de dom e graça através do Cristo Jesus, o segundo Adão. Unidos a Jesus nós nos tornamos Filhos de Deus.

Paulo via Jesus Cristo como segundo Adão e Homem Novo. E quanto a nós? Assim como trouxemos a imagem do homem terrestre, traremos também a imagem do homem celeste (cf. 1Cor 15,49). No tempo presente, portanto, estamos mudando de imagem, abandonando o homem velho e nos tornando “homem novo”.

 

  • Jesus Cristo é o Senhor.

Grego KIRIUS = Senhor

  1. Jesus Cristo é o Senhor: resumo da identidade cristã.

Com o título de “Senhor”, em sentido teológico, aparece com clareza a confissão de fé na condição divina de Jesus Cristo. Os títulos analisados até aqui, sozinhos, não são suficientes para fundamentar essa confissão de fé.

O nome de Deus no Antigo Testamento (“Adonai”) que tinha substituído o nome de Javé, é traduzido para o grego na versão dos Setenta, pelo termo “kyrios” (Senhor). Antes de Jesus Cristo, o termo já era utilizado para designar o Deus da revelação bíblica.

\uma confissão de fé por parte dos discípulos de Jesus na sua divindade só ocorre depois da experiência pascal, em conexão com Pentecostes. Em aramaico, língua falada por Jesus e pelos discípulos, a palavra equivalente a Senhor é “Mar”, ou o possessivo “Mari” (Meu senhor). Entretanto parece que esta palavra não foi utilizada como título divino antes de Jesus Cristo. Chamar alguém de senhor   era uma manifestação de respeito, ou então uma indicação de que a pessoa em questão era proprietária de algo. Em português a palavra “senhor” também tem essas duas acepções.

Os discípulos chamaram Jesus de “Mar” (senhor) antes da Páscoa expressando assim sentimentos de respeito e cortesia. O termo “Mar” não tinha ainda um sentido divino.

Depois da Páscoa e de Pentecostes, a primitiva comunidade cristã já confessa que Jesus é o Senhor, com um sentido teológico que vai muito além do mero respeito ou cortesia. As comunidades cristãs gregas, que não conheciam o aramaico, usam a expressão “Maranatha”, que pode ser traduzida de maneira invocativa (Vem, Senhor) ou de maneira indicativa (O Senhor vem). Cf 1 Cor 16,22. Trata-se de uma expressão litúrgica, conservada na língua original, que confessa a fé no senhorio, preponderantemente escatológico, de Jesus Cristo. Pede-se na oração, que este senhorio se manifeste plenamente, em sua segunda vinda.

Foi Paulo quem utilizou mais frequentemente o título “Kyrios” para expressar a fé em Jesus Cristo. Este uso não parece ser uma criação paulina, a confissão de fé já estava presente nas comunidades pré-paulinas (cf. 1 Cor 12,3; Fl 2,5-11). Trata-se de uma profissão de fé, de uma proclamação pública que define a identidade cristã perante os não-cristãos. A identidade e o testemunho cristãos reúnem-se na afirmação do único senhorio de Jesus Cristo. Cf. 1Cor 8,6. De modo muito particular é desmascarada a falsidade da pretensão divina do poder político encarnado no imperador.

  1. A condição divina do Senhor Jesus.

Ressaltamos a importância do hino paulino em Fl 2,6-11. Trata-se de um ótimo resumo da fé cristológica das comunidades cristãs do século I. A divindade de Jesus Cristo está claramente afirmada nesse hino.

O hino trata de Jesus Cristo inseparavelmente divino e humano (v-6). Afirma-se a preexistência de Jesus Cristo (pg. 144 do livroi-texto.

O versículo 11 faz a afirmação conclusiva do hino: Jesus é o Senhor.

A condição divina de Jesus Cristo é diretamente afirmada neste importante hino cristológico. O dinamismo cristológico fundamental encontra-se também muito bem descrito: desprendimento para tornar-se um de nós na encarnação. É o dinamismo que a comunidade cristã e cada membro dela são chamados a vivenciar, prioritariamente, no serviço evangelizados.

  1. Jesus Cristo é o Primogênito e a Plenitude-Recapitulação.

O senhorio de Jesus é completamente universal. Atua em nossa história atual e está atuando desde o início da história da humanidade, desde o primeiro instante da criação. Percebe-se isto quando a fé cristã lança um olhar para o passado. E quando volta a atenção para o futuro. Lá está também Jesus Cristo, meta final da história humana e, com ela, de toda a criação.. O senhorio universal de Jesus Cristo leva o autor do Apocalipse a confessar Jesus como Princípio e Fim, Alfa e Ômega (cf Ap 21,6; 22,13).

Jesus Cristo é o primogênito em relação a nossa filiação. Ver Rm 8,29.

Jesus Cristo é a plenitude e a recapitulação. O senhorio universal de Jesus Cristo significa também a realização da plenitude e da recapitulação (cf Ef 1,10). Em Jesus Cristo são possíveis a paz e a reconciliação (cf Ef 2, 14-16). Segundo o Novo Testamento Jesus Cristo realiza a reconciliação universal e a unidade.

  • Jesus Cristo é a Palavra encarnada.
  1. Jesus Cristo é o Verbo feito fraqueza humana (SARX).

Grego LOGUS = Palavra; SARX = fraqueza humana (Jo 1,14).

O termo “logus” (palavra) é grego, mas seu conteúdo no prólogo do 4º evangelho é judaico. Deve ser compreendido tendo como pano de fundo o que se afirma no AT a respeito da palavra e da sabedoria de Javé. Pela sua palavra-sabedoria, Deus criou o mundo e o ser humano. Esta palavra-sabedoria, sempre presente em Deus é igualmente salvadora, libertadora e vivificadora. È a palavra-sabedoria de Deus que armou sua tenda em Israel (cf. Eclo 24,8). A Criação, a Torá, e a pregação profética constituem comunicações de Deus. Mas não são autocomunicação de Deus. Esta s´[o acontece em Jesus Cristo. Ele próprio é a palavra-comunicação de Deus, ele é o próprio Deus comunicando-se.

O prólogo ao 4º evangelho afirma que o Logus é de condição divina (Jo 1,1) e tudo foi criado por meio dele (Jo 1,3). Este Logus se fez “sarx” (Jo 1,14). O termo sarx indica o ser humano em sua condição de fraqueza, finitude e mortalidade. O próprio Deus armou sua tenda entre nós, se fez limitação e fraqueza humanas.No homem Jesus de Nazaré encontramos a palavra de Deus, a autocomunicação de Deus, o próprio Deus.

  1. Jesus Cristo é o único Filho de Deus.

Todos nós somos apenas filhos adotivos, enquanto Jesus, só ele, é o Filho (cf Gl 4, 1-7; Mt 11,27; Mt 7,11; Lc 22,29).

João aprofunda o significado da filiação única de Jesus Cristo. Ela implica uma íntima comunhão e comunidade com o Pai. De tal modo é intima e total essa comunhão entre Pai e Filho, que Jesus (conforme Jo 10,30) pode afirmar: “Eu e o Pai somos um”.. Ninguém, por si mesmo, pode adentrar essa intimidade. Só mediante o Filho único é que podemos receber a revelação de quem seja esse Deus (cf Jo 1,18; Mt 11, 25-27).

  1. Significado cristológico do “Eu sou”.

O conhecido “Eu Sou” (o nome divino Javé) de Ex 3,14 é aplicado no 4º evangelho a Jesus Cristo (cf Jo 8,24; 8,28; 8,58; 13,19). “Eu sou” tem aqui um significado diretamente divino. É outra maneira de confessar a condição divina de Jesus Cristo.

  1. Jesus Cristo é Deus.

Afirmar que Jesus Cristo é Deus nada acrescenta a tudo quanto já foi exposto. Pode-se ver essa afirmação em Rm 9,5 e Fl 2,6-11. Contudo na maior parte do NT se reserva o termo “Deus” para o Pai.

  • Significado cristológico dos relatos da infância de Jesus (pág.155 do livro-texto).

Genealogias.

Concepção virginal.

Nascimento em Belém.

Os pastores.

Os magos e a estrela.

Jesus apresentado no Templo.

Cânticos.

Matança dos inocentes e fuga para o Egito.

Jesus no Templo.

Vida de Jesus em Nazaré.

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Cristologia/Quem é Jesus de Nazaré? – 11/09/17.

setembro 24, 2017

Grupo de Estudos Teológicos Pe Aloísio Knob

Cristologia/Quem é Jesus de Nazaré? – 11/09/17.

Leitura: Filipenses 2, 5-11.

Introdução:

As comunidades cristãs do primeiro século, e os escritos no Novo Testamento, apresentam vários caminhos para uma aproximação da rica e complexa realidade que é Jesus de Nazaré. Tentarão comunicar, de maneira significativa o conteúdo de sua fé. Segundo perspectivas diversas e utilizando como mediação elementos tomados do AT, do judaísmo e também do helenismo, as comunidades cristãs procuram comunicar a extraordinária riqueza da fé em Jesus. Cada uma das expressões ou títulos a ele atribuídos apontam para um ou vários aspectos básicos dessa realidade estupenda, desconcertante e poderosamente cativante que é Jesus.

  • Jesus é o Cristo.

A comunidade primitiva palestinense aceitou e proclamou que Jesus de Nazaré é o Messias, o Cristo. Posteriormente, as comunidades helenísticas utilizaram com muita frequência este título, a ponto de ficar incorporado ao nome próprio de Jesus, na forma: Jesus Cristo.

  • Messias: ambiguidade de título

Jesus atribuiu a si próprio o título de Messias? Conforme o testemunho dos evangelhos, Jesus manteve-se reservado e reticente em relação à aplicação desse título. Devemos lembrar que a expectativa messiânica era bastante ambígua à época de Jesus.

Grego CHRISTÓS = hebraico MASCHIAH = Messias = Ungido

No Antigo testamento é aplicado ao rei e ao sacerdote. Eram ungidos com óleo os homens encarregados por Javé de alguma missão ou tarefa especial em relação ao povo de Israel.

Unção aplicada ao rei: 1 Sm 26,9; 9,16; 10,1; 24,7. Ciro, o persa: Is 45,1.

Unção aplicada a sacerdote: Ex 28,41.

Messias esperado pelos judeus: Rei, Mestre da Lei, Sumo-sacerdote escatológico, Profeta redivivo, Filho do Homem, Servo.

O Messias-rei era associado a Filho de Davi, membro da dinastia davídica (Is 24,23; 2Sm 7, 12-16; 1 Cr 17, 11-14; Jr 33, 15-17).

A salvação de Javé aparece também na figura do Servo de Javé (Is 42, 1-7; 49, 1-9; 50, 4-9; 52,13-53,12).

A figura do messias sacerdote que também é rei aparece em Zc 4, 11-14.

A figura apocalíptica do Filho do Homem aparece em Dn 7,13.

Os especialistas do AT ainda hoje discutem o caráter messiânico dessas figuras. O Novo Testamento aplicará a Jesus esses títulos, dando-lhe um conteúdo próprio.

Aparentemente predominava à época de Jesus a figura do Messias rei, com uma interpretação nacionalista e política desse enviado de Javé. Compreendemos assim a reserva de Jesus em relação à utilização do título de Messias.

  • Messias: aplicação a Jesus

Indicações que apontam para o messianismo de Jesus:

  • Contexto messiânico da pregação de João Batista e a vinculação deste com Jesus.
  • O fundo messiânico tanto do batismo de Jesus quanto da tentação
  • Em verdade Jesus não afirma ser o Messias, mas não rejeita o título. Entretanto sempre corrige o seu significado. O messianismo de Jesus não é político-nacionalista. Ele assume a vocação de Messias servidor até as últimas consequências (cf Mc 8,29-33).
  • O contexto messiânico está também presente no processo promovido contra Jesus (cf Lc 22,66-23,3).

A pregação de João Batista anuncia a proximidade do julgamento, apela com urgência à conversão, fala da necessidade do batismo e dela consta o anúncio daquele que há de vir, do mediador escatológico da salvação, do Messias esperado (cf Lc 3, 16-17). Livro-texto pág. 28).

Jesus desceu ao rio Jordão para ser batizado. Trata-se de um fato histórico bem fundamentado, de acordo com conclusões de investigação histórica e estudo exegético. O evento do batismo de Jesus, interpretado pela igreja primitiva, é apresentado em Mc 1, 9-11. Trata-se da confirmação e da proclamação da vocação messiânica de Jesus. O batismo constitui um momento forte na explicação da consciência messiânica de Jesus. É sinal de sua vida de servidor que acabará por conduzi-lo à morte. Como servidor, Jesus carrega os pecados do povo. Jesus é batizado com o povo, pois como servo de Javé, ele é solidário com seus irmãos, com o povo pecador. Livro-texto pág. 30.

O texto de Mc 1,13 afirma que Jesus foi tentado durante sua permanência no deserto. Não explica qual teria sido o conteúdo da tentação. Como é apresentada em conexão com a narrativa do batismo, deduz-se que a tentação visava precisamente a afastar Jesus do caminho messiânico do serviço. Jesus foi realmente tentado (cf Hb 2,18), sendo chamado a aprofundar sua opção fundamental: a escolha do messianismo de serviço que rejeita o messianismo do poder dominador. Livro-texto pág. 32.

  • Jesus é o Messias Servidor

Após a ressurreição de Jesus a releitura do Antigo Testamento. Ficou claro que o título aplicado a Jesus não tinha significação político-nacionalista. A experiência pascal trouxe consigo a superação da possível ambiguidade presente durante a vida do Homem de Nazaré.

Jesus é o esperado, o enviado, o ungido. O título Cristo é de fundamental importância para o diálogo com os judeus. Esse título mostra a íntima relação, a continuidade real existente entre a expectativa do antigo Israel e o novo Povo de Deus.

Jesus é o Cristo esperado de toda a humanidade e não só de Israel. Ele é o mediador da salvação de judeus e gentios, realizando, de maneira que excede toda a expectativa, o desejo de salvação-libertação, presente no coração humano.

Cristo como nome próprio de Jesus. Falaremos de Jesus Cristo e seus discípulos serão chamados de cristãos.

A Igreja lembra-nos hoje da prioridade total que deve ser concedida à evangelização, ao anúncio de Jesus Cristo, com toda a riqueza que esse anúncio carrega. O povo católico fica desnorteado quando não há ou é deficiente o encontro vivo com Jesus Cristo. E assim procura outras mediações. A ausência desse encontro não pode ser substituída com devoções e com outras mediações religiosas.

  • Jesus é o Servo de Javé.
  1. Sofrimento substitutivo no Antigo Testamento.

Jesus é o Servo de Javé. A importância dessa confissão de fé salta hoje à vista quando consideramos o predomínio atual do neoliberalismo, com sua ideologia que acentua fortemente o individualismo e uma competição feroz com todas as sequelas de marginalização e de exclusão em assustador crescimento. Nesse contexto é particularmente necessária a vivência da solidariedade-substituição.

Para compreender o significado da figura misteriosa do Servo de Javé, convém lembrar que no Antigo Testamento é bastante ressaltada a solidariedade tanto no bem como no mal, tanto na salvação como na perdição e no castigo. Daí a necessidade que o israelita sentia de romper o vínculo de solidariedade com o pecador. Os anátemas e as maldições tinham esse objetivo e possuíam também uma finalidade expiatória. Havia a possibilidade de realizar a expiação de maneira substitutiva. A figura do bode expiatório constituía um exemplo muito conhecido (cf Lv 16, 20-26): carregando com os pecados do povo, o bode era solto no deserto. Realizava-se assim a expiação substitutiva.

Os profetas denunciam a fragilidade dessas modalidades de expiação. Sem uma conversão real, afirmam, são inúteis a expiação e a reconciliação rituais. E qual poderia ser o significado do sofrimento dos justos? – pergunta-se algumas vezes Israel.

Um começo de resposta encontra-se nos livros dos Macabeus. O sofrimento, a perseguição e o martírio do justo são interpretados como expiação dos próprios pecados e dos pecados do povo (cf. 2Mc 7, 32-33.37-38).

É na figura do Servo de Javé, sobretudo no Quarto Cântico de Isaias (cf. Is 52,13-53.12), que aparece muito claramente a ideia de que o sofrimento pode ter uma função de reconciliação e de expiação em substituição a outros. O cântico fala diretamente do sofrimento pelos outros, do servo que substitui os outros.

  1. Jesus vive o significado do Servo de Javé.

Não há dúvida de que Jesus viveu toda a sua vida para o Pai, numa entrega filial, e para os irmãos, no amor-serviço e na solidariedade. Não temos certeza se foi o próprio Jesus quem se aplicou o título de Servo de Javé ou se lhe foi atribuído pela comunidade cristã. Em ambos os casos, a atribuição foi acertada. De fato, a comunidade cristã primitiva pode muito bem, depois da morte-ressurreição de Jesus e de Pentecostes, ter feito uma profunda releitura do Antigo Testamento, aplicando a Jesus o conteúdo do Quarto Cântico de Javé, o que é perfeitamente legítimo levando-se em consideração tudo quanto constituiu a vida e a morte de Jesus.

Jesus viveu realmente a substituição-solidariedade. O termo grego “úper” (por, pelo, pelos) ressalta essa dimensão da vida e da morte de Jesus (cf 1Cor 15,3; 11,24). Três afirmações inseparáveis resumem o rico significado desse termo quando aplicado a Jesus. Assim, a entrega de Jesus é feita:

– por amor a nós;

– em proveito nosso;

– em nosso lugar.

Uma partícula grega tão pequena com uma grande significação.

  1. A reconciliação-solidariedade de Jesus.

Para avaliar adequadamente a reconciliação (redenção) realizada por Jesus Cristo, é imprescindível entender o significado da substituição-solidariedade, vivida por ele, com toda profundidade e radicalidade. Existe a reconciliação entre Deus e o ser humano, porque alguém, Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez homem servidor, trocou de lugar: ele, que era rico, tornou-se pobre, com o objetivo de que nós – pobres – nos tornássemos ricos (filhos de Deus). Veja-se 2Cor 8,9 e Fl 2,6-11. A reconciliação-redenção é muito diferente da coexistência pacífica. Para que exista uma verdadeira Reconciliação – afirma a fé neotestamentária em Jesus Cristo – é necessário mudar de lugar, sair-de-si-próprio para substituir o outro. Esta é a reconciliação (redenção) realizada por Jesus Cristo.

Alguém poderá objetar, com toda razão: a reconciliação, de fato, só é possível quando as partes implicadas fazem esse movimento de sair-de-si-próprio para, em certo sentido, tornar-se o outro. A reconciliação de Jesus Cristo é superabundante, mas não podemos esquecer que é necessário também o movimento de abertura da outra parte, quer dizer, de cada um de nós.

A reconciliação de Jesus Cristo exige nossa aceitação e colaboração. A entrega de Jesus, a solidariedade-substituição, que realiza a reconciliação, não tira nossa responsabilidade pessoal. A solidariedade-substituição de Jesus Cristo, que realiza a reconciliação, não tira nosso lugar na história da salvação. Ela torna possível nossa libertação do fechamento em nós mesmos para a abertura ao Deus do Reino e para o amor-serviço aos irmãos.

 

CEBI – Centro de Estudos Bíblicos Evangelho de Marcos – Quem é Jesus? – 21/08/17

setembro 10, 2017

CEBI – Centro de Estudos Bíblicos

Evangelho de Marcos – Quem é Jesus? – 21/08/17

  1. As mulheres no movimento de Jesus

Leitura: Mt 1, 1-17.

Estamos acostumados a pensar em apóstolos e discípulos. Esta nossa maneira de ver a realidade torna-se excludente para com as mulheres. Várias mulheres estão presentes na vida de Jesus. Estão até mesmo na sua genealogia. Tamar, Raab, Rute e Betsabeia são antepassadas de Jesus. (Ver Mateus 1,1-17). São mulheres que marcaram a vida do povo de Deus. Da mesma maneira, Maria, Isabel, Marta e Maria, Maria Madalena e muitas outras marcaram a vida de Jesus e das primeiras comunidades.

Dinâmica:

Vamos dividir a turma em 4 grupos.

Grupo 1: Raab e Maria

Grupo 2: Rute s Isabel.

Grupo 3: Tamar e Marta & Maria.

Grupo 4: Betsabeia e Maria de Magdala.

Perguntas aos grupos:

  1. Quem era essa mulher ascendente de Jesus?
  2. O que elas representavam para o povo de Deus?
  3. O que o texto nos revela sobre a situação da mulher no tempo de Jesus?
  4. Qual a atitude de Jesus e qual a atitude da mulher?

Ascendentes de Jesus:

Tamar – Gn  38, 6-30. – Embora estrangeira, assim como Rute, Tamar foi incorporada ao povo de Israel e, através do seu filho Farés tornou-se antepassada do rei Davi. Ela também faz parte da genealogia de Jesus. O texto mostra como funcionava a lei do Levirato: quando o marido morria sem deixar filhos, seu irmão era obrigado por lei a se unir à viúva, e o filho que nascesse seria considerado como filho do irmão morto. Essa lei visava a conservar a herança no âmbito da família Onã é condenado por violar essa lei.

Raab – Josué 2, 1-24 – A conquista da terra prometida começa com a estratégia da espionagem. Canaã era formada por um conjunto de cidades-estado, onde a exploração econômica reduz muitas pessoas ao trabalho forçado ou à marginalização. Uma delas é Raab, forçada à prostituição, ela se torna o primeiro contato dos espiões de Josué. E a situação de conflito aparece na perseguição desencadeada pelo rei de Jericó. No centro do texto, está a aliança entre os que trazem a proposta de uma nova sociedade e os descontentes com o sistema social vigente. Esta aliança é feita em nome de Javé, integrando todo um grupo de marginalizados pelo sistema.

Rute – Rute 3, 1-18. O que Rute pede a Booz não é um favor, mas um direito previsto em lei. As reivindicações dos pobres não são uma busca de favores, que podem ou não ser atendidas conforme o capricho dos poderosos. Tais reivindicações são algo que lhes pertence por justiça. Uma sociedade justa não surge através dos mecanismos injustos e humilhantes, tais como favoritismo, protecionismo ou pistolões. , mas através de luta digna e corajosa, que encontra formas capazes de produzir a prática da justiça.

Betsabeia – 2 Samuel, 11, 1-27 – A função da autoridade é servir o povo, defendendo-o dos inimigos e fazendo-o viver segundo a justiça e o direito. Ora, Davi trai completamente a sua função de autoridade, não acompanha mais o exército, deixa de defender o povo, torce a justiça e viola o direito, usando o poder para satisfazer seus caprichos sociais. O texto deixa claro que o poder é sempre ambíguo e pode tornar-se algo extremamente perigoso. O poder em si não é próprio da humanidade, mas de Deus, e em mãos humanas só se justifica quando entendido como função de serviço, para que o povo tenha liberdade e vida. O poder torna-se totalmente mau, quando usado para satisfazer interesses pessoais e de grupos privilegiados, à custa do povo.

As mulheres no movimento de Jesus;

Maria – Lc 1, 26-38 – Maria é outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela libertação. Dela nasce Jesus, o Filho de Deus. O fato de Maria conceber sem ainda estar morando com José indica que o nascimento de Jesus é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar a nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova.

Isabel – Lc 39-56 – O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história.  Ver o cântico de Ana em 1 Sm 2, 1-10.

Marta e Maria – Jo 11, 1-44 – Jesus se apresenta como a ressurreição e a vida, mostrando que a morte é apenas uma necessidade física. Para a fé cristã a vida não é interrompida com a morte, mas caminha para a sua plenitude. A vida plena da ressurreição já está presente naqueles que pertencem à comunidade de Jesus. A morte é o resumo e o ponto máximo de todas as fraquezas humanas. O medo da morte acovarda o homem diante da opressão, e o impede de testemunhar. O medo fortalece o poder dos opressores. Libertando o homem desse medo, Jesus torna-o radicalmente livre e capaz de dar até o fim o testemunho da própria fé.

Maria de Magdala – Mc 16, 1-8 – Estes versículos são o final primitivo são o final primitivo do Evangelho de Marcos. O túmulo vazio é o sinal de que a ação de Deus em Jesus não termina aí, na morte e no medo. Jesus de Nazaré ressuscitou e vai estar de novo no local onde havia começado sua atividade: na Galileia. Os discípulos só poderão encontrar-se de novo com Jesus, se continuarem o projeto por ele iniciado. Jesus ressuscitado não é apenas um corpo redivivo, mas uma presença contínua entre aqueles que continuam seu caminho. Notar que o evangelho de Marcos se apresenta apenas como o começo, a introdução de um livro muito maior, que deverá narrar a Boa Nova de Jesus, o Messias, o Filho de Deus, através dos seus discípulos em todos os tempos e lugares.

 

  1. A novidade que irrompe

Escutar alguns testemunhos sobre a mulher que mais foi admirada.

Expressar-se quanto ao que Jesus faria hoje no tocante às mulheres.

Quem é Jesus? Qual a novidade que irrompe com Jesus?

Jesus, com sua presença e seu modo de relacionar-se, quebra os preconceitos da época.

  • Toca as mulheres e deixa-se tocar: Mc 1,29-34; 5,25-34.

Mc 1, 29-34 –  Para os antigos a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço. Os demônios reconhecem quem é Jesus, porque sabem que a palavra e ação dele ameaça o domínio que eles têm sobre os homens.

Mc 5, 25-34 – Toda mulher menstruada ou sofrendo corrimento de sangue, era considerada impura (Lv 15, 19-25), e impuros ficavam também os que fossem tocados por ela. A fé em Jesus faz que essa mulher viole a Lei e seja curada.

  • Tem amigas e hospeda-se em suas casas: Lc 10,38-42.

Lc 10, 38-42 – Mais importante do que fazer as coisas é fazê-lo de modo novo. Para isso, é preciso ouvir a palavra de Jesus, que mostra o que fazer e como fazer. Importante notar que Jesus se hospeda com mulheres.

  • Podemos dizer que, superando todas as barreiras, faz um caminho e deixa-se transformar pelas mulheres:

Lc 13,10-13: ao ver a mulher encurvada, Jesus percebe o quanto a lei era um fardo, que encurvava e pesava sobre os pequeninos. Redescobre, com a mulher, a lei como libertação e juntos se “endireitam”. Uma curada da doença, outro curado do legalismo.

Mt 15,21-28: a mulher cananeia, ao ver-se ignorada, desprezada, rompe o silêncio que envolvia a mulher e pronuncia palavras que ajudam Jesus a converter-se, a perceber a dimensão universal de sua missão.

Jo 4,1-29: no poço da Samaria, Jesus pede água para a mulher samaritana. Jesus tem algo a oferecer à mulher: água viva, dignidade. Ela tem algo a ensinar a Jesus: respeitar, reconhecer, partilhar. Juntos, superam os preconceitos. Juntos, afirmam sua identidade: “Sou eu”, “Ele disse-me quem sou”. Ao reconhecer-se, ao acolher-se, tornam-se parceiros na missão, no anúncio da novidade: adora-se Deus em espírito e verdade. Deus é universal.

  • As mulheres tornam-se sinais do Reino. Vejamos:

Mc 3,31-35: seguindo Jesus, estabelecem-se novas relações, não somente de sangue e, sim, de afinidade e compromisso com o mesmo projeto.

Mc 12,41-44: a viúva torna-se modelo que oferece tudo para o Reino.

Lc 15,8-10: a busca da moeda perdida torna-se a parábola que revela a busca do Reino.

Mt 13,33: a mulher que põe fermento na massa e faz um pão gostoso torna-se sinal da força dos pequenos que fermentam a massa para torna-la Reino de Deus.

Mc 14,3-9: a mulher que unge Jesus torna-se Boa Notícia a ser anunciada no mundo inteiro. Pois esta é a Boa Nova do Evangelho: não há mais discriminação e exclusão. No Reino vive-se as relações de igualdade, reciprocidade e parceria.

  1. Testemunhas da Ressurreição

Dinâmica:

  • Leitura dos textos que seguem, procurar qual a memória que cada evangelista guarda do acontecimento da Ressurreição.
  • Textos: Mc 16,1-11; Mt 28,1-10; Lc 24,1-11; Jo 20,1-18.

Mc 16, 1-11 –  A atitude mais revolucionária que Jesus assume é fazer das mulheres discípulas e primeiras testemunhas de sua Ressurreição. Maria Madalena tornou-se, inclusive, a apóstola da Ressurreição.

Mt 28, 1-10 – A manhã desse primeiro dia da semana marca uma transformação radical na compreensão a respeito do homem e da vida. O projeto vivido por Jesus não é caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus, que através da morte, leva para a vida. Doravante, o encontro com Jesus se realiza no momento em que os homens e mulheres se dispõem a anunciar o coração da fé cristã: Jesus morreu e ressuscitou. Anúncio e prática a continuar em todos os tempos e lugares, a começar pela atividade de Jesus na Galileia. Só essa fé ativa transformará o medo da morte na alegria da vida.

Lc 24, 1-11 – Idem.

Jo 20, 1-18 – A fé na ressurreição tem dois aspectos. O primeiro é negativo: Jesus não está morto. Ele não é um falecido ilustre, ao qual se deve construir um monumento. O sepulcro vazio mostra que Jesus não ficou prisioneiro da morte. O segundo aspecto da ressurreição é positivo: Jesus está vivo, e o discípulo que o ama intui essa realidade. Jesus está vivo, mas já não se manifesta de modo físico, como o Mestre durante a sua vida na história. Doravante, ele está presente no mistério da vida de Deus, e torna-se presente e atuante através do anúncio feito por aqueles que nele acreditam, homens e mulheres.

  • Lc 8,1-3: Lucas nos informa os nomes de algumas mulheres que Jesus chamou para segui-lo. Jesus continua sua missão, e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade de seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus.
  • Lc 10,38-44: Na conversa entre Marta e Jesus, descobrimos que ele quer que as mulheres sejam discípulas e diaconisas, como será confirmado depois em Jo 11,5. Jesus amava Marta, sua irmã Maria e seu irmão Lázaro.
  • Mc 15,40-41: Marcos sintetiza tudo isso, apontando para três verbos: seguir – servir – subir. Quem viveu estes três verbos foram as mulheres que seguiram Jesus desde a Galileia, serviram-no e subiram com ele até Jerusalém, estando junto a ele na cruz.

 

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CEBI – Centro de Estudos Bíblicos Evangelho de Marcos – Quem é Jesus? – 14/08/17

setembro 6, 2017
CEBI – Centro de Estudos Bíblicos
Evangelho de Marcos – Quem é Jesus? – 14/08/17
Introdução:
Invocação ao Espírito Santo.
Leitura: 1 Pd 3,15.
Comentário: Quem é Jesus para você? Quem razão podemos dar da nossa esperança em Cristo Jesus? João perguntou: és tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Jesus respondeu: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciada a boa nova (cf Mt 11, 1-6). Jesus se dá a conhecer por suas obras, isto é, por seu programa, por seu projeto e por sua prática.
1.            O Programa de Jesus;
Leituras: Mc 1,14-15 (mantra: é como a chuva que lava…); Lc 4,16-21 (mantra: tua palavra é lâmpada para os meus pés…).
Mc 1,14-15 – Estas são as primeiras palavras de Jesus. Elas apresentam o seu programa, a chave para interpretar toda a sua atividade. Cumprimento: em Jesus, Deus se entrega totalmente. Não é mais tempo de espera. É hora de agir. O Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical da situação injusta que domina os homens. Está próximo: o Reino é dinâmico e está sempre crescendo. Conversão: a ação de Jesus exige mudança radical da orientação de vida. Acreditar na Boa Nova: é aceitar o que Jesus realiza e empenhar-se com ele.
Lc 4, 16-21 – Trata-se do programa de Jesus segundo Lucas. Em Is 61, 1-2 (Terceiro Isaías) já se anunciara que o Messias iria realizar a missão libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a si mesmo, assumindo-se no hoje concreto em que se situa. No ano da graça eram perdoadas todas as dívidas e se redistribuíam fraternalmente todas as terras e propriedades. Jesus encaminha a humanidade para uma situação de reconciliação e partilha, que tornam possíveis a igualdade, a fraternidade e a comunhão.
2.            O Projeto de Jesus:
Todos os evangelhos apresentam uma síntese da proposta de Jesus. Marcos nos diz que Jesus anuncia seu projeto quando João Batista está na prisão, ele o faz na região da Galileia, proclamando o Evangelho de Deus, diz que cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo. Convite a nos convertermos e cremos no Evangelho.
3.            Sintetizando e celebrando a proposta de Jesus.
Dinâmica: cada um deverá formular com suas próprias palavras o projeto de Jesus e a identidade de Jesus.
·         Formar grupos
·         Num papel cada grupo deverá formular, com suas próprias palavras, o Projeto de Jesus.
·         Cada grupo apresentará seu trabalho, acompanhado de um canto, se julgado conveniente pelo grupo.
4.            A prática libertadora de Jesus.
Símbolos: mãos (prática econômica – Mc 6, 30-42; Mc 2, 23-28; Mc 12, 38-44), pés (prática política – Mc 8, 31-32; Mc 9, 30-37; Mc 10, 32-34), olhos (prática social – Mc 10, 13-16; Lc 10, 29-37) e coração (prática religiosa – Mc 3, 1-6; Jo 2, 13-22).
Perguntas:
a)            Por que as pessoas se sentem incomodadas com a prática de Jesus? Qual o lado da sociedade que atinge e transforma a prática de Jesus?
b)           De que modo a prática de Jesus incomodava as pessoas?
As mãos – a prática econômica:
Mc 12, 38-44: Jesus critica os intelectuais da classe dominante que transformam o saber em poder, aproveitando-se da própria situação para viverem ricamente à custa das camadas mais pobres do povo. Disfarçando tal exploração com orações, isto é, com motivo religioso, tornam-se ainda mais culpados. Os doutores da lei exploram as viúvas e roubam suas casas, uma viúva pobre deposita tudo o que tem. Jesus mostra o significado dessa oferta:  as relações econômicas que devem vigorar numa sociedade que crê em Deus são as relações de doação total, que abandonam as próprias seguranças, e não as relações baseadas no supérfluo. Cf Atos 4, 323-35.
Os pés – a prática política:
Mc 9, 30-37: Os discípulos não compreendem as consequências que a ação de Jesus vai provocar, pois ainda concebem uma sociedade onde existem diferenças de grandeza. Quem é o maior? Jesus mostra que a grandeza da nova sociedade não se baseia na riqueza e no poder, mas no serviço sem pretensões e interesses.
Os olhos – a prática social:
Mc 10, 13-16: Aqui a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino de Deus.
O coração – a prática religiosa:
Mc 3, 1-6: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Ao mesmo tempo, partidos que eram inimigos entre si reúnem-se para planejar a morte desse profeta: afinal, ele está destruindo a ideia de religião e sociedade que eles tinham.
5.            Significado da prática de Jesus. (Jesus quer ser conhecido por sua prática).
a)            Prática das mãos – Quem é Jesus? É aquele que leva a uma nova prática econômica; são as mãos que fazem a economia nas relações de trabalho. São as mãos que concentram ou partilham.
b)           Prática dos pés – Quem é Jesus? È aquele que nos leva a uma nova prática política; São os pés que nos levam ao encontro do outro. Ao caminhar ao encontro podemos caminhar para dominar ou para servir.
c)            Prática dos olhos – Quem é Jesus? É aquele que nos leva a uma nova prática social; São os olhos que discriminam, julgam, dividem.
d)           Prática do coração – Quem é Jesus? É aquele que nos leva a uma nova prática religiosa; Muitas vezes a religião torna-se legalismo, como no tempo de Jesus. A verdadeira religião é aquela que coloca a vida no centro e deixa-se conduzir pelo Espírito de Jesus.
6.            Metodologia de Jesus / Como Jesus trabalhava.
Existem identidades de Jesus de que não queremos saber.
A metodologia de Jesus nos mostra que ele atua a partir dos empobrecidos, fala a partir da vida, trabalha em equipe e em atitude de gratuidade, com coerência e fiel até a morte.
Leituras: Mc 3, 13-19 e Lc 8, 1-3.
Quem é Jesus? É o profeta que trabalha em equipe:
Mc 3, 13-19 – Dentre os discípulos, Jesus escolhe doze. Um pequeno grupo que será o começo de novo povo, o Novo Povo de Deus. A missão desse grupo compreende três atitudes: comprometer-se com Jesus (estar com ele), para anunciar o Reino de Deus (pregar), libertando os homens de tudo aquilo que os escraviza e aliena (expulsar os demônios).
Lc 8, 1-3 – Jesus continua sua missão e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus.
7.            Aprofundando a metodologia de Jesus
a)            Jesus ensina com autoridade. É um ensinamento novo, que deixava a multidão admirada, pois o povo percebia que sua palavra era acompanhada de uma prática de vida. Seu falar era simples, sobretudo no uso das parábolas (cf. Mt 7,28-29).
b)           O conteúdo da metodologia de Jesus:
A parábola é um ensinamento sapiencial que parte do cotidiano e se alarga, tornando-se mensagem de algo que transcende a realidade. A parábola pode ser ligada à roça, à família, ao trabalho, ao mundo rural ou urbano.
A parábola fala do tempo, do trabalho, das relações familiares, sociais ou econômicas.
Jesus fala daquilo que o povo entende, pois faz parte de sua vida, de seu dia a dia. Jesus fala a partir daquilo que é conhecido pelo povo, alarga o sentido e o horizonte e fala das coisas de Deus.
Leitura: Mc 12, 1-12. A parábola dos agricultores assassinos. Parábola ligada à roça, ao trabalho e ao mundo rural.
c)            O lugar onde Jesus ensina:
Os mestres da época ensinavam nas escolas, nas sinagogas, no templo. Jesus ensina nas sinagogas e nas casas. O templo, porém, não é seu lugar preferencial.
Seu lugar preferido para ensinar é lá onde se encontra o povo: na praça, na rua, à beira do mar, no monte, no mercado e nas casas.
8.            A mística de Jesus
Acompanhando Jesus percebemos sua fidelidade ao projeto do Pai até a morte, e morte de cruz. Leitura: Fl 2, 5-11.
Na sua metodologia vimos quanto a coerência de vida é essencial.
Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da Cruz, o evangelho autêntico, e apresenta em Jesus Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus se apresentou entre os homens como simples homem. Abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas homem que obedece a Deus e serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse um criminoso. Por isso Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo. Abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo de boa fama, para pôr-se a serviço dos outros, até o fim.
Encerramento:
Benção (Amós Lopes)
Que Deus nos abençoe com seu amor, para amar aos outros como nos amamos a nós mesmos.
Que Deus nos abençoe com um espírito aberto a toda necessidade, um espírito que cura e reconcilia. Deus nos abençoe com humildade para buscar a verdade, e descobrir o bem onde quer que se encontre.
Que Deus nos abençoe com um olhar novo para ver na diversidade uma riqueza e não uma ameaça.
Que Deus nos abençoe com ouvidos atentos para escutar, conhecer, respeitar, partilhar e trabalhar juntos e juntas por um mundo melhor.
Amém.

Bíblia e Cidadania. Vida e Dignidade.

julho 16, 2017

Fernando Henriques

subcoordenador

 

 

 

Buscar o fortalecimento da Cidadania é uma constante no trabalho do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos). Cidadãs e cidadãos comprometidos com a luta por mais vida e dignidade são um dos frutos da leitura bíblica junto às comunidades populares.

 

Partindo da realidade dos excluídos, a metodologia do CEBI vai além do estudo bíblico. Ela gera uma mística que leva a uma prática não-violenta que tem sua fonte alimentadora na luta por uma sociedade de partilha, solidariedade e respeito a todas as formas de vida. Esse processo é vivenciado como um mergulho no grande mistério que são a vida e a divindade.

 

Sendo a vida a primeira leitura, nos aproximarmos da palavra de Deus tem que fazer, ou nos ajudar a ter, uma vida em sintonia com a defesa da vida que está na Palavra. Podemos imaginar a cena do homem que foi roubado, surrado e jogado num buraco, e que Jesus, ao passar por ali, não o fosse ajudar?

 

Seguir as práticas de Jesus é ser um cristão verdadeiro. É acreditarmos na construção de uma nova sociedade, de um novo cidadão. Como Jesus agiria frente à pena de morte, à rejeição ao desarmamento, às propostas de uma sociedade hedonista, baseada no consumo desmedido e no desperdício? Como Jesus se comportaria frente à corrupção dos ricos e poderosos e frente às gritantes desigualdades sociais?

 

A proposta do CEBI é buscar na Bíblia textos que nos iluminem para essas entre muitas outras reflexões. Desde há cinco anos contamos com o CEBI Méier, aqui em nossa paróquia do Sagrado Coração de Jesus, com atuação permanente ao longo do ano.

Em 10 de novembro próximo teremos um encontro Bíblia e Meio Ambiente, promovido por nossa Comissão de Cidadania, Fé e Política e pelo CEBI Centro-Rio. O encontro deverá ter a animação do teólogo Obertal Xavier, assessor do CEBI na Baixada Fluminense e Divino Lopes da Silveira, da direção estadual do CEBI. Trata-se de uma experiência simplesmente diferente, uma abordagem popular para uma aproximação dos textos sagrados enfocados de um ponto de vista da Cidadania e do Meio Ambiente.

 

O local do evento será a Casa Pe. Dehon (Rua Vilela Tavares, 154, Méier) de 8:30 às 12 horas. A participação é franca, mas será desejável uma colaboração para o lanche partilhado. O coordenador da Comissão de Cidadania é nosso companheiro Lindolfo Lima.

Participe.

Por ocasião dos 5 anos do CEBI Méier

maio 7, 2017

Cinco anos de caminhada

Fernando Henriques

subcoordenador

 

A 4 de agosto de 2007, por iniciativa do Pe Renato Cadore  o CEBI Méier fazia sua primeira atividade  pública, o encontro inicial de um Curso Popular da Bíblia, abordando o Primeiro Testamento a partir de coleção de Tea Frigerio publicada pelo CEBI.

Este encontro foi realizado num sábado, durante todo o dia, com almoço partilhado no foyer do térreo da Casa Pe Dehon. A assessoria coube ao Fabiano, hoje na tesouraria do CEBI RJ (Estado). Quase meia centena de companheiros iniciou o curso e muitos deles perseveraram e continuaram no CEBI Méier, alguns até a data presente.

Para assinalar os cinco anos de caminhada, nem sempre em céu de brigadeiro, esbarrando em rosas e espinhos nas curvas do caminho, o CEBI Méier teve uma celebração de aniversário na missa das onze horas do dia 02 de setembro último, presidida por Pe José Luís e dando início às atividades cebianas do Mês da Bíblia, que vão prosseguir até  novembro.

O início da celebração contou com texto escrito conjuntamente pelo CEBI e pela Liturgia, preparando o ambiente do encontro. À hora da Liturgia da Palavra, o CEBI adentrou a nave da Igreja com Marcos Thadeu, atual coordenador, à frente, levando a Bíblia em suas mãos e o restante do CEBI o seguiu portando cada um uma vela. Durante as leituras as velas do CEBI permaneceram ao lado do Ambão e nas proximidades do presbitério.

O Pe José Luís em diversos momentos destacou o carisma do CEBI no estudo das sagradas escrituras e da perseverança do grupo. Embora não seja tão grande como no passado, pudemos contar com um grande número de antigos participantes.

Cabe aqui um agradecimento à comunidade dehoniana que sempre nos tem apoiado e pela cessão de espaço para nossos encontros e eventos na Casa Pe Dehon.

A propósito do início do Mês da Bíblia, no dia anterior (sábado, 01/09), o CEBI Centro Rio convidou a profª Tereza Cavalcanti para assessorar o Estudo do Evangelho de Marcos, com adesão do CEBI Méier. O evento realizou-se na Paróquia de São Jorge, em Quintino, zona norte do Rio, com a presença de aproximadamente 50 pessoas, a maioria da comunidade local, mas também de outras regiões da cidade e do estado.

Este encontro foi realizado em horário integral e decorreu das 9:20 às 16 horas. A assessora dividiu o estudo em cinco partes. Na primeira parte foi feita uma introdução à Bíblia, abordando sua composição. A segunda parte foi uma introdução ao segundo testamento. Já a terceira foi uma pequena introdução aos evangelhos e a Marcos em particular.

A quarta parte do encontro foi centrada no estudo de Marcos 5, 21-43, perícope comumente conhecida como A filha de Jairo e a mulher com hemorragia. Os participantes foram divididos em 5 grupos que refletiram sobre o texto e apresentaram suas conclusões e descobertas em plenária muito animada.

O grupo 1 abordou o texto sob a ótica de três perguntas: Qual a história de Jairo? Como ele se relacionou com Jesus? E com os demais personagens? O grupo 2 pensou o texto fazendo outras três perguntas: Qual a história da mulher hemorroísa? Como ela se relacionou com Jesus? E com os outros personagens? O grupo 3 debruçou-se sobre a questão de como era o relacionamento de Jesus com os seus discípulos, a partir da história contada por Marcos.

O grupo 4 tentou responder às seguintes questões: Quais eram as mulheres presentes na história? Elas têm nomes? Elas falam? O que acontece com cada uma delas? Por fim o grupo 5 abordou a questão de como era a relação de Jesus com a família de Jairo.

Após o almoço comunitário a assessora entrou na parte 5 e abordou a questão da voz das mulheres no texto bíblico, alargando a reflexão dos participantes. Ficou claro como as identidades masculinas foram preservadas enquanto nenhuma das mulheres envolvidas atende pelo próprio nome.

Cabe o destaque da maneira como a comunidade de São Jorge de Quintino recebeu a todos, com a fidalguia a que já nos acostumamos e com um grande amor pela Palavra e pelos irmãos. E cabe um profundo agradecimento à profª Tereza Cavancanti pelo incomensurável serviço que tão competentemente nos prestou. Com a palavra de Deus, nossa comunidade cebiana gera mais transformação e vida para todos!

 

CEBI Méier: Leitura Popular da Bíblia

abril 30, 2017

Fernando Henriques

O CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) é um órgão ecumênico de âmbito nacional com sede em São Leopoldo, RS. Em cada estado há uma representação, o mesmo acontecendo em nível municipal. O CEBI-Méier faz parte do CEBI Centro-Rio, que funciona no Colégio Assunção, em Santa Teresa.

Há cerca de cinco anos iniciamos nossa atuação na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, sob inspiração do Padre Renato Cadore. A atual coordenação está em seu segundo ano. Continuamos garimpando a imensa beleza e sabedoria da Palavra de Deus. Somos abertos à comunidade cristã, abrigando diversas denominações.

No segundo semestre de 2012 o CEBI Méier está apresentando uma rica proposta de encontros. Programamos atividades em quatro grandes blocos: leitura popular da bíblia, área bíblica, ecumenismo e meio ambiente. A riqueza da Palavra será garimpada através de estudos do Evangelho de Marcos e da Formação do Povo de Deus.

Partindo da realidade dos excluídos, a metodologia do CEBI vai além do estudo bíblico. Ela se propõe uma mística muito própria que tem sua fonte alimentadora na luta por uma sociedade de partilha, solidariedade e respeito a todas as formas de vida.

Temos dois importantes livros em nossas mãos, a VIDA e a BÍBLIA. O seguimento de Jesus é nossa meta. Seguir as práticas de Jesus é ser um seguidor do Caminho, um cristão verdadeiro. O estudo bíblico cebiano, na força do Santo Espírito, atualiza as práticas de Jesus. E essas práticas nos dão a certeza de que são possíveis uma nova sociedade e um mundo novo.

A proposta do CEBI é buscar na Bíblia textos que iluminem estas nossas realidades de um novo milênio e nos conduzam a uma práxis cristã. Venha você também participar conosco de nossa leitura popular dos textos sagrados.

Sua vontade em estudar a Bíblia, em aprofundar seus conhecimentos a respeito da Revelação proposta ao povo de Deus, seu amor por aquele que armou sua tenda entre nós, é suficiente para que você participe de nossa caminhada.

Venha você também fazer parte dos cebianos do Méier. Nossos encontros são aos sábados, das 8:30 às 12 horas na Casa Pe. Dehon (Rua Vilela Tavares, 154, Méier). Todos estão convidados a participar. Com a palavra de Deus, nossa comunidade gera mais transformação e vida para todos!